Olá morador da Associação Residencial Okinawa
Você sabia que, na assembléia desta sexta feira (14/04/2023), será votada a permissão para transformar a P3 em uma portaria de serviço?
Muito provavelmente você já leu o edital da assembleia, ele deve ter sido entregue em sua residência e também ficou disponível no aplicativo Control Condo.
Infelizmente, ao ler o texto do edital, muitos moradores não entenderam exatamente o que será discutido, principalmente nos itens referentes ao funcionamento da P3.
É por isso que estou escrevendo este texto para você, para deixar bem claro o que será colocado em votação na próxima assembléia.
Com palavras mais simples e diretas, segue o que será votado na próxima assembleia:
Votação para fechar a P2 e realizar novas obras para transformar a P3 em uma portaria de serviço.
É isso que será discutido e votado na próxima assembleia.
Por isso, resolvi criar este site e trazer mais atenção à essa pauta controversa, que pode resultar na aprovação de uma decisão de grande impacto para todos os moradores.
Nas conversas sobre este assunto, praticamente todos os defensores desse projeto costumam argumentar o seguinte:
"Hoje o Okinawa possui 3 portarias e isso aumenta os desperdícios e a vulnerabilidade do condomínio. Portanto, fechar a P2 e transferir a portaria de serviço para a P3 se justifica por trazer um benefício coletivo, ainda que alguns moradores se sintam prejudicados."
Gostaria de apresentar para você uma reflexão um pouco mais profunda sobre esse argumento.
É difícil discordar que o fato de ter três portarias, ao invés de duas, causa maiores complexidades com operação, manutenção, segurança e vigilância.
É um fato concreto.
Mas existe um detalhe interessante sobre esse fato que costuma não ser comentado por quem o utiliza como argumento: O risco dele acontecer foi alertado ainda na assembleia de 04/11/2021, que aprovou a construção da portaria. E a maioria dos presentes preferiu aceitar esse risco.
Apesar da decisão de ter uma portaria adicional no condomínio ter sido tomada pela própria maioria dos moradores. Ainda assim, é claro que devemos discutir propostas para melhorar a situação atual e resolver o problema de mantermos três portarias.
O que não se pode fazer é tentar corrigir esse problema a qualquer custo, avaliando apenas o projeto mais barato.
E no caso de apenas transformar a P3 em uma portaria de serviço, com sua única saída para as Ruas 21 e 30, os custos vão muito além do custo de construção e não podem ser ignorados:
O primeiro custo extra: Adequações necessárias e suas consequências
O primeiro custo adicional dessa decisão virá de reformas e adequações que serão necessárias nas ruas, principalmente na Rua 21, além dos custos extras de construção e funcionamento da nova portaria.
As ruas locais do condomínio provavelmente não foram projetadas para suportarem tráfego intenso, tendo suas configurações e estruturas condizentes com um tráfego residencial de baixo fluxo e baixa carga presente nas ruas sem saída.
Esse argumento se baseia no fato do projeto de recapeamento do asfalto prever um tratamento especial da avenida exatamente com esta justificativa, utilizando uma camada asfáltica mais grossa do que nas vias locais para suportar melhor um tráfego mais intenso.
Portanto, provavelmente serão incluídas mudanças no projeto de recapeamento do asfalto do condomínio para adequar as ruas do entorno da P3, principalmente a Rua 21, ao novo fluxo de carros e caminhões.
Entretanto, o orçamento do projeto de recapeamento do asfalto já se encontra comprometido devido à inflação elevada dos últimos anos, impossibilitando que todas as ruas de nosso condomínio sejam beneficiadas pelo recapeamento e manutenção necessárias após mais de 20 anos de construção.
É neste contexto que será proposto realizar adequações na Rua 21.
Caso o projeto seja aprovado, certamente o recapeamento da Rua 21 será feito com o mesmo padrão da avenida e seu custo será mais elevado. Isso fará com que ainda mais ruas fiquem de fora do projeto de recapeamento e não recebam a manutenção adequada que tem direito nos próximos meses.
Lembremos que todos os associados estão contribuindo mensalmente para o projeto de recapeamento, não apenas os associados das ruas mais deterioradas. Todos estamos dividindo estes custos igualmente e não me parece correto redirecionar dinheiro deste projeto para atender às necessidades da nova portaria de serviço.
Entretanto, caso a Rua 21 não tenha um padrão mais robusto de pavimentação, é provável que sofra deteriorações em breve, provocando novos gastos de manutenção para o condomínio nos próximos anos.
Toda essa despesa extra não está sendo levada em conta.
O segundo custo extra: A paz e a qualidade de vida dos seus vizinhos
A maioria dos moradores das ruas 20, 21 e 30 escolheu suas casas levando em conta a localização em uma rua sem saída. A paz, privacidade e tranquilidade encontradas neste tipo de rua são itens importantes na decisão de compra e no preço dos imóveis. Esses itens proporcionam a qualidade de vida que muitas pessoas procuram.
Entretanto, quando alguém que mora nestas ruas compartilha o seu descontentamento com o aumento de fluxo de veículos e incômodo com o tráfego de caminhões e motos passando na porta de sua casa, costuma-se simplesmente dizer que isso é um "pequeno sacrifício em prol do coletivo".
Esse argumento pode ser muito perigoso.
O benefício para uma maioria não pode ser conseguido a qualquer custo, principalmente se uma parte significativa desse custo for pago apenas por um pequeno grupo da comunidade.
Esse é caso no projeto atual da portaria de serviço.
Os moradores das ruas no entorno da P3, principalmente os moradores da Rua 21, já convivem hoje com um aumento entre 500% a 1000% de tráfego de veículos na porta de suas casas no período da manhã, com cerca de 200 carros trafegando em um trecho da rua que tem apenas 13 casas.
Esse trânsito causa aumento significativo do barulho da rua. Eu, por exemplo, não consigo mais dormir após as 6:30 da manhã por causa do barulho.
Lembrem-se que as casas das ruas locais não possuem um recuo maior, como as casas da avenida por exemplo. Nossas casas não foram construídas sob a premissa de um alto fluxo de veículos na rua.
Além disso, o aumento do tráfego também causa um aumento de veículos que trafegam em alta velocidade. Aumentando, portanto, os riscos à segurança dos moradores dessas ruas que, novamente, não foram projetadas para isso.
Seja sincero: Ainda que sob sua supervisão, você teria coragem de continuar deixando seu filho de 3 anos jogar bola na sua garagem sabendo que o fluxo de veículos na sua rua passou de quase zero para mais de um carro por minuto?
Esse é o custo já pago por esse pequeno grupo de moradores hoje com sua paz e sua qualidade de vida.
E nós já aceitamos esse fardo. Inclusive estamos dispostos a aceitar também uma extensão de horário de funcionamento para otimizar o uso da estrutura já existente.
Entretanto, o que está sendo proposto na próxima assembleia é que o nosso prejuízo seja ainda mais profundo com a adição da função de portaria de serviço na P3.
E isso para que tenhamos uma "portaria de serviço moderna", "sinergias" ou maior comodidade para os prestadores de serviço?
Neste caso, nos parece que os prejuízos superam os benefícios.
O terceiro custo extra: A qualidade das áreas comuns do condomínio
Se você reparar no mapa do condomínio, vai notar que a Rua 21 concentra boa parte da vida social de nossa comunidade. É nesta rua que se encontra o Pet-Place, as churrasqueiras, o Espaço Naha, a entrada das quadras, o parquinho infantil e as piscinas do CPO.
Parece sensato para você instalar uma portaria de serviço nessa rua?
Durante todo o dia, existe um fluxo muito maior de adultos e crianças transitando a pé e de bicicleta nesta rua do que nas demais ruas do condomínio, principalmente próximo à entrada do CPO.
Transferir a portaria de serviços para a P3 vai fazer todo o fluxo de motos, caminhões e carros de terceiros trafegarem exatamente pela rua que concentra praticamente todos os itens de lazer de nossa comunidade. Até mesmo a praça verde tem ligação com a Rua 21 e também vai sofrer impactos no aumento do fluxo de motos e caminhões.
Construir uma calçada paralela ao clube certamente seria benéfico para os moradores que utilizam o pet-place. Entretanto, uma calçada que liga o Naha até o CPO não faz a menor diferença para as crianças e adolescentes, já que a principal concentração delas acontece próximo da portaria do clube.
Independente de ter uma calçada ou não, aumentar o tráfego aumenta também os riscos associados ao tráfego. Caso o projeto seja aprovado como está sendo sugerido, estaremos assumindo que isso é um risco aceitável.
Novamente, por qual motivo? Qual é o benefício tão valioso que justifica prejudicar nossa própria privacidade e qualidade de vida, além de colocar em risco nossas crianças e animais de estimação que frequentam o CPO, a área verde e o Pet Place?
O quarto custo extra: As opções que deixamos de escolher
Finalmente, existem as opções que não estão sendo debatidas e poderiam resolver o problema de maneira muito melhor, sem causar prejuízos tão graves para um grupo específico de moradores nem prejudicar a qualidade e segurança das áreas de lazer comuns do condomínio.
Poderíamos estudar uma modernização da P1 por exemplo, realizando uma grande reforma para que ela também passe a realizar a função de portaria de serviço. Para resolver o problema de espaço, podemos definir a saída de visitantes exclusivamente pela P3, convertendo-a em uma portaria social.
Essa solução valorizaria todos os imóveis no médio prazo, com a modernização do portal de entrada, sem prejudicar excessivamente nenhum grupo de moradores em particular.
Os moradores da Rua 2 seriam especialmente beneficiados, com o incômodo causado pela portaria de serviço sendo removido do dia a dia de sua rua, resultando em valorização adicional de seus imóveis.
Claro que realizar uma grande obra para revitalizar e aumentar o escopo de funcionamento da P1 teria grandes custos para os associados. Certamente não podemos ignorar esse fato.
Mas também não podemos ignorar que o preço da obra pode ser igualmente compartilhado por todos os 728 lotes do condomínio. O custo financeiro é o custo mais justo para se resolver esse problema, pois não prejudica ninguém em particular.
Se existem opções que não trazem custos adicionais além do custo financeiro, ainda que esse seja mais alto, não me parece justo ou moralmente aceitável escolher a opção mais barata que causa danos e prejuízos para um grupo específico de moradores.
O custo financeiro todos nós podemos dividir igualmente. Já o custo de paz, privacidade e qualidade de vida, é pago apenas pelos moradores das ruas do entorno da portaria e por aqueles que usam as áreas de lazer.
Se você quer conhecer duas opções que poderiam ser estudadas como alternativas ao atual projeto, visite este link.
Conclusão: Nós pedimos a sua ajuda!
Depois de ter lido todo esse texto enorme, espero que você tenha pelo menos levantado algumas dúvidas quanto ao projeto atualmente proposto na assembleia para fechar a P2 e transferir as funções de serviço para a P3.
Eu sinceramente acredito que todos que estão participando da diretoria e das assembleias estão procurando fazer o melhor para a comunidade e para suas próprias famílias.
Entretanto, as vezes tomamos decisões com informações incompletas ou vindas de apenas de pessoas que também não foram expostas as opiniões e angústias do outro lado da história.
Agora que você foi apresentado ao ponto de vista da minoria que se sente prejudicada, eu imploro para que você avalie novamente a proposta que será apresentada na assembleia com outros olhos.
Nós, os moradores das ruas afetadas, não temos números suficientes de votos para barrar essas aprovações.
O máximo que podemos fazer é expor nossa situação para você e para todos os outros associados. Só podemos torcer para que a empatia de nossos vizinhos venha em nosso socorro e impeça um prejuízo ainda mais profundo em nossa qualidade de vida e em nosso patrimônio.
Por favor, participe da assembleia e nos ajude a evitar esse projeto.
Juntos, podemos criar alternativas melhores.
Obrigado, de coração, pelo seu valioso tempo e paciência.
Moradores das Ruas 20, 21 e 30.
PS: Caso você queira conhecer melhor os argumentos usados por aqueles que defendem o atual projeto visite este link.
